Como rolou a “Tardes de Formação: Juventude, Segurança Pública e Direitos Humanos”?

Neste sábado, 29/06 a Pastoral da Juventude se encontrou no Anchietanum para a Tarde de Formação “Juventude, Segurança Pública e Direitos Humanos.”

Provocados por Tiago de Melo, somos chamados a pensar em quais são os direitos do homem.

“Artigo VII: Decreta e revogada, fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraudada da alma do povo.”

Danilo, das Mães de Maio nos levou a olhar com cuidado para o extermínio da juventude, refletindo sobre quem são os jovens a quem se nega direitos, se nega a vida. Pobres, pretos e periféricos são alvos de uma lei militarizada, em que se pretende não acabar com a pobreza, mas com os sujeitos da miséria, vitimas de uma sociedade desigual.

“Artigo IV: Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem, que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único, o homem confiará no homem como um menino confia em outro menino.”

Ampliando a conversa para a criminalidade e marginalização em que alguns indivíduos são inseridos, Milena, do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular, trouxe um pouco de luz para um tema onde a escuridão parecia predominar. Justiça! Mas afinal, o que entendemos por justiça? Nosso imaginário permeia algumas ideias rápidas, o termo é associado à ideia de punição, onde se estabelece relações de poder, aplicado para se reestabelecer uma suposta ordem. Contudo, animados pelo Evangelho, e chamados ao perdão, como estabelecer relações de cuidado em situações onde somos colocados a olhar o outro? Justiça Restaurativa vem, como o nome sugere, restaurar o que foi rompido, onde se dialogue com as necessidades e historias de cada um para que as vidas dos personagens envolvidos se tornem protagonistas.

“Artigo Final: Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pantano enganoso da dor, a partir deste instante, a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.”

Rodolfo, da Rede 2 de outubro, encaminha a  conversa mostrando quais os sinais de morte que existem com o encarceramento em massa e o sistema prisional. Somos novamente chamados a olhar para dentro das penitenciarias e perceber quem são os sujeitos exterminados ainda em vida: Pobres, pretos e periféricos. O presídio deixa de ser, como se quer fazer acreditar, local de recuperação dos indivíduos, mas se torna claramente o lugar em que se gerencia e administra os pobres. Ali, eles são estigmatizados e cria-se, para cada um, a identidade do criminoso, que jamais terá seus laços reestabelecidos com a vida. Rodolfo nos mostra assim que não há humanização possível neste espaço. Habolicionismo Prisional! Esta é a luta que permeia a vida! O habolicionismo prisional se contrapõe assim à ideia de que todos os indivíduos tem a mesma oportunidade, pois entende que vivemos em uma sociedade desigual e excludente, contrapõe-se a ideia de que é preciso criar melhores condições nas prisões, pois não e possível humanizar o extermínio. Fazendo um paralelo às ultimas manifestações que ocorrem em São Paulo e no Brasil, e, como advogado do Movimento Passe Livre, Rodolfo é claro: “- Falar de uma sociedade sem catraca é falar de uma sociedade sem prisões, sem explorações, sem capitalismo!”

“Artigo XIII: Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar um sol das manhãs de todas, expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de tentar e a festa do dia que chegou;”

Retomando o debate sobre a redução da maioridade penal, Marcelo, da Pastoral Carcerária, nos mostra como esta medida é expressão de problemas que envolvem o sistema prisional, o extermínio em massa e o sistema judiciário, todos classistas e racistas, ou seja, que tem nas condições financeiras e de raças o ponto de partida de suas decisões. E mais uma vez, somos chamados a lutar pela vida da juventude, contra a redução da maioridade penal!

“Artigo III: Fica decretado que a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra e que as janelas devem permanecer o dia inteiro abertas para o verde onde cresce a esperança.”

Encorajados pelas reflexões, conversas e debates, somos chamados a continuar a caminhada pela vida plena para todos, pela construção da Civilização do Amor. Juntos, vamos esperançando, com e pela juventude.

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