Carta de Dom Milton para a Região Episcopal Brasilândia – Março de 2014

Brasão_Dom_Milton_Kenan

Caros padres, diáconos, religiosos(as), e agentes de pastoral da Região Brasilândia,
Saúde, graça e paz!

Neste domingo, realizou-se a abertura da Campanha da Fraternidade 2014 em nossa Região Episcopal. Neste ano, o tema da CF é “Fraternidade e Tráfico Humano”, e o lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).
Nós podemos dizer que a realidade do tráfico humano tornou-se uma das chagas mais profundas do tempo que vivemos. Estima-se que em 2012, 20,9 milhões de pessoas foram vítimas do tráfico humano, seja no trabalho forçado (14,2 milhões), seja na exploração sexual (4,5 milhões). Nesse total, mulheres e meninas representam 11,4 milhões (55%), enquanto homens e meninos representam 9,5 milhões (45%); 15,4 milhões de vítimas são maiores de 18 anos (74%) e 5,5 milhões estão abaixo desta faixa etária.
No Brasil, onde no passado foram traficados milhões de escravos, principalmente da África, a modalidade mais visível do tráfico humano hoje é o trabalho escravo (ou tráfico de pessoas para fim de exploração do trabalho), um gênero hoje presente sob as espécies do trabalho forçado, da jornada exaustiva e do trabalho em condições degradantes.
Em sua maioria, as vítimas são aliciadas em bolsões de pobreza no norte e nordeste do país. A cada ano, mais de 200 casos são relatados, com incidência maior na região amazônica. De 1995 para cá, já foram libertados mais de 45 mil pessoas, em sua grande maioria homens, em cerca de 2000 estabelecimentos, em todo o país, principalmente no campo, mas também em canteiros de grandes obras e, na cidade, em oficinas de confecção, envolvendo trabalhadores latino americanos. Nenhum estado, porém, está imune a esta prática.
No Texto Base da CF 2014 lemos: “No rosto das vítimas do tráfico humano a Igreja identifica traços do rosto de Jesus sofredor. O Filho de Deus, com Sua encarnação, se uniu a cada pessoa em seu sofrer, tem compaixão e identifica-se com cada oprimido, explorado e humilhado, a exemplo dos vitimados pelo tráfico humano. A mensagem de Jesus é essencialmente uma mensagem de libertação (cf. Lc 4, 16-21). Todo discípulo é ungido no Batismo pelo Espírito do Senhor para ser um libertador como Jesus. Ungido para proclamar a liberdade e colocar-se em defesa da dignidade humana; ou seja, ser também uma boa notícia para todas as pessoas que padecem escravidão. A “lei de Cristo” (Gl 6,2), escrita na mente e no coração do homem (cf. Hb 8,10), move o discípulo missionário a tomar decisões firmes a favor da liberdade e da dignidade humana” (nn. 217-218).
Nosso querido Papa Francisco na sua Mensagem para a Campanha da Fraternidade 2014, diz: “Não é possível ficar impassível sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano!”
O Papa diz-nos ainda: “Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha. A troco do quê? De poder, de fama, de bens materiais… E isso – pasmem! A troco da minha dignidade de filho e filha de Deus, resgatada a preço do sangue de Cristo na Cruz e garantida pelo Espírito Santo que clama dentro de nós <Abba, Pai!> (cf. Gl 4,6). A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando piso-a no outro, estou pisando a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou!”.
Deixemo-nos tocar pelas leituras da mensagem do Santo Padre e, do Texto Base da CF 2014. Será importante que dediquemos um pouco do nosso tempo, para ler e meditar o Texto Base da CF, para compreendermos o alcance deste desafio e as sugestões que ele nos traz.
Seria importante que, seja em nível pessoal como no nível comunitário, procurássemos traduzir nosso compromisso quaresmal, com um gesto de solidariedade com aqueles que estão mais próximos de nós e, se encontram, vítimas do tráfico humano. O Texto Base diz: “Ser o bom samaritano. O homem que sofreu violência e se encontrava caído foi socorrido. Assumir este modo de agir no enfrentamento ao tráfico de pessoas implica disposição de mudarmos nossos planos para acolher as situações emergenciais postas pelo problema do tráfico, tanto na prevenção quanto no atendimento e apoio às vítimas” (p.86).
Quero, ainda aproveitar, para dizer-lhes da importância que foi o encontro que ocorreu no último dia 6 de março com Dom Odilo, nosso Arcebispo e o clero, no Colégio Mendel (Tatuapé). Infelizmente foram poucos os padres da nossa Região que participaram. Mas, creio que aqueles que lá estiveram saberão dizer como é importante encontrar-se enquanto clero da Arquidiocese e, encontrar-se com aquele que é o nosso Pastor!
Na sua fala, Dom Odilo além de lembrar os acontecimentos de âmbito arquidiocesano previstos para este ano, falou-nos da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco e dos destaques pastorais para o ano em exercício.
No que toca à urgência pastoral “Igreja: casa da iniciação cristã”, creio que todos já receberam do Secretariado de Pastoral, via e-mail, o arquivo “Sugestões pastorais para a implementação da Iniciação à Vida Cristã” que deve servir até junho próximo de estudo, reflexão e levantamento de propostas, nos grupos, movimentos, pastorais e outros organismos eclesiais de toda Arquidiocese de São Paulo.
Faço aqui o apelo para que em nossas paróquias, este texto seja amplamente divulgado e aprofundado, e sirva ao debate e levantamento de sugestões para serem incorporadas depois à vida das nossas comunidades.
Lembro as palavras do Documento de Aparecida: “A iniciação cristã é um desafio que devemos encarar com decisão, com coragem e criatividade, visto que em muitas partes a iniciação cristã tem sido pobre e fragmentada. Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para seu seguimento ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora” (N. 287).
Quero, ainda, deixar aqui um agradecimento ao Pe. Valdiran pelo trabalho realizado, no período que esteve à frente da Coordenação Pastoral da nossa Região Episcopal; e agradecer ao Pe. Reinaldo que acolheu o convite e assumiu com grande disponibilidade esta função tão importante! Que Deus o ilumine e o fortaleça nesta tarefa!
Antes de encerrar esta carta quero ainda comunicar que foi nomeado responsável pelo Setor de Animação Bíblico Catequético da Região Episcopal, o Pe. Airton Pereira Bueno, que deverá atuar juntamente com os Padres Jaime Estevão Gomes, Julio Masson, SV e Alexandre Awi Mello, ISch na animação deste Setor em nossa Região, visando sobretudo a animação da iniciação à vida cristã em nossas paróquias, durante este ano.
Agradeço a todos pela atenção e pela colaboração; e, ao despedir-me desejo-lhes uma Quaresma abençoada, repleta de graças e de muita força no caminho do seguimento de Jesus!
Um cordial abraço,

Dom Milton Kenan Júnior
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal da Região Brasilândia.

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