Carta de Dom Milton para a Região Episcopal Brasilândia – Junho 2014

Prezados irmãos e irmãs em Cristo,

Graça e Paz!

Em maio passado, durante a 52ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida, foi publicado o Documento “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia – A conversão pastoral da paróquia” (Doc. 100 da CNBB).

No sexto capítulo do texto, intitulado: “Proposições Pastorais”, se dá um destaque à Iniciação à vida cristã (n. 268-269). São apenas três parágrafos, bastante densos, que merecem da nossa parte uma reflexão.

A primeira afirmação que se faz é que “para que comunidades sejam renovadas, devem ser casa de Iniciação à Vida Cristã, onde a catequese há de ser uma prioridade”.  Vejamos a densidade desta afirmação: se queremos que nossas comunidades se renovem, é preciso dar uma atenção especial à catequese, nas suas diversas etapas e destinatários. É bom que nos perguntemos que lugar a catequese ocupa em nossas comunidades? Quais os recursos e o tempo que lhe dedicamos?

No mesmo parágrafo, os Bispos afirmam que “a catequese, como Iniciação à Vida Cristã, ainda é desconhecida em muitas comunidades”, pois ainda damos à catequese um caráter escolar; e, ainda caímos na tentação de compreender a fé como “um pressuposto óbvio da sua vida diária” (Bento XVI), quando, na verdade, “tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado” (Porta Fidei, 2).

Se no passado havia um ambiente em que a fé e os valores evangélicos permeavam a vida das pessoas e suas relações, hoje não é mais assim; daí a necessidade de recuperar o caráter de “Iniciação à Vida Cristã”; oferecer aos que abraçam a fé, ou aqueles que a professam de maneira incompleta, a possibilidade de serem introduzidos na vida de fé e de comunidade, e serem acompanhados neste processo.

O Documento da CNBB ainda sublinha a necessidade de “fazer com que os membros das comunidades cristãs percebam o estreito vínculo que há entre Batismo, Confirmação e Eucaristia”. Tratam-se dos Sacramentos de Iniciação Cristã, os sacramentos que sinalizam o caminho de abertura e integração na comunidade de fé, e, ao mesmo tempo de conversão diante do anúncio do Evangelho.

Não podemos negar, que com o espaçamento entre um e outro destes sacramentos, fomos perdendo a profunda unidade que há entre eles e o caráter de iniciação que eles contêm. Iniciação à fé e à vida de comunidade, de inserção e compromisso com Cristo e com a Igreja.

Os Bispos demonstram o desejo de que a catequese deixe de ser uma “mera instrução” e adote “a metodologia ou processo catecumenal, conforme a orientação do Ritual da Iniciação Cristã (RICA) e do Diretório Nacional da Catequese (DNC)”.

Adotar uma metodologia ou processo catecumenal, conforme o RICA e o DNC, implica compreender a catequese como um processo e não um curso, um caminho que se percorre com a comunidade de fé, onde a fé não é só verbalmente comunicada, mas celebrada na Igreja e transmitida por um compromisso vigoroso com a comunidade.

Dizem os Bispos: “É indispensável seguir os tempos e as etapas do catecumenato e propor, mesmo para os membros da comunidade, uma formação catecumenal que percorra os processos da iniciação, desde o querigma e conversão, até o discipulado, a comunhão e a missão” (n. 269).

Seria interessante que com os catequistas, e mesmo em algum dos encontros do CPP, lêssemos os parágrafos 276-278 do Documento de Aparecida, onde encontramos indicações para o processo de formação dos discípulos missionários, destacando-se os aspectos deste processo: o Encontro com Jesus Cristo, a Conversão, o Discipulado, a Comunhão e a Missão.

Por fim, os Bispos nos falam da importância de que todo este processo esteja centrado na Palavra de Deus: “A catequese, ‘tem de ser impregnada e embebida de pensamento, espírito e atitudes bíblicas e evangélicas, mediante um contato assíduo com os próprios textos sagrados’ (VD 74).” (n. Doc. 110, 270)

Procuremos, na medida do possível, retomar esta carta em algum dos encontros dos catequistas de nossas paróquias ou do próprio CPP, e aprofundarmos as indicações que o Documento “Comunidade de Comunidades: umanova Paróquia” nos faz, no que diz respeito então à Iniciação à Vida Cristã.

Quero, aqui, reforçar o apelo para que o maior número de fiéis participe da Semana de Formação da Região Episcopal, que ocorrerá entre os dias 28 e 31 de julho, cujo tema neste ano será “Iniciação à Vida Cristã”.

Insisto também para que, de acordo com a organização feita pelo Secretariado de Pastoral, na pessoa do Pe. Reinaldo, os membros dos CPPs, participem entre os dias 21 a 25 de julho dos encontros preparados para a formação dos mesmos, tendo em vista a realização das Assembleias nos diversos níveis, e a elaboração dos Projetos Pastorais para 2015.

Aproveito, a oportunidade, para convidar a todos, a elevar hoje, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus uma prece especial pela santificação dos sacerdotes. São João Paulo II, instituiu neste dia a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, esperando que toda a Igreja se una em oração por aqueles que tem a difícil tarefa de animar a vida das comunidades, tornando-se imagens vivas do Bom Pastor que dá a vida pelo seu rebanho.

Despedindo-me, agradeço-lhes a atenção e invoco sobre todos, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, copiosas bênçãos e graças divinas,

Em Cristo Jesus,

Brasão_Dom_Milton_KenanDom Milton Kenan Júnior
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal da Região Brasilândia

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