Mensagem de Dom Devair sobre a CF 2015

upload_r4zxDDQcTmK05141roaK89vP2

Fraternidade: Igreja e Sociedade
“Eu vim para servir”

Depois de um período de grandes mudanças sociais, políticas e econômicas, vividas pela humanidade na segunda metade do século XX, também a Igreja recebeu novos ares. As palavras do Beato Paulo VI retratam esse tempo novo, de maneira profética: “O anúncio, de fato, não adquire toda a sua dimensão, senão quando ele for ouvido, acolhido, assimilado e quando ele houver feito brotar naquele que assim o tiver recebido uma adesão de coração”.
No início do novo milênio, São João Paulo II recordou a necessidade absoluta de que em todos os nossos trabalhos, é preciso partir sempre de Jesus Cristo. “Cristo há de ser proposto a todos com confiança. A proposta seja feita aos adultos, às famílias, aos jovens, às crianças, sem nunca esconder as exigências mais radicais da mensagem evangélica”.
Reafirmando esse pensamento, o Papa Bento XVI também ensinou que, “No início do ser cristão não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, assim, o rumo decisivo”.
Mais recentemente o Papa Francisco convidou toda a Igreja a uma atitude de saída dizendo que: “Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho”.
O magistério desses quatro papas forma como que a moldura de um quadro, onde foi desenhada a Igreja do período pós-concílio. Cinquenta anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II, olhamos com gratidão para aqueles que fizeram a história do Concílio, guardando e reafirmando a Tradição, e abrindo caminhos para o diálogo com o mundo. Mas a gratidão, convida à responsabilidade de, também hoje, nossas Comunidades, Pastorais, Movimentos, Realidades Eclesiais, Ministros ordenados e Povo de Deus, aproveitarem a oportunidade para retomarmos os ensinamentos do Concílio Vaticano II, refletindo, meditando e rezando a relação entre Igreja e sociedade.
Sem Perder a distinção entre Igreja e Estado, os cristãos precisam estar seguros de sua identidade, para poderem contribuir com a sociedade. O Evangelho não isola e nem esconde os discípulos de Cristo, mas abre as possibilidades para a participação na vida da sociedade. “A Igreja Católica está presente em todo o território brasileiro, participando e servindo, em vários âmbitos e por distintas formas, a sociedade brasileira”.
E preciso recordar que, a presença da Igreja, é mais que a construção e manutenção de espaços físicos. Nossas igrejas, capelas, salas e salões são espaços importantes para a reunião e trabalhos da comunidade local. Mas é com pessoas e entre pessoas que acontece a presença da Igreja. Onde um católico auxilia alguém necessitado, onde assume compromissos em favor da verdade, da vida, da justiça e da paz, por causa de Jesus Cristo, então ai a Igreja está presente, atuando na sociedade. Cada pessoa é então como um semeador do Reino de Deus.
Como pessoas, estamos ligados uns aos outros, por isso a vida social não é apenas um acessório ou uma ideologia, ela é uma exigência da natureza humana. “A Igreja compreende a participação na vida social como um empenho voluntário e generoso da pessoa nas questões sociais”. Portanto, o cristão, que é também cidadão, precisa assumir essa responsabilidade social, como sequência da sua fé, segundo o lugar e o papel que ocupa. É assim que a presença e a ação dos cristãos se concretizam em serviço da Igreja para a Sociedade: “Eu vim para servir”.
O período quaresmal e a CF 2015 abrem, para toda a Igreja no Brasil, este tempo de escuta e reflexão com o tema – Fraternidade: Igreja e Sociedade. Rever os caminhos já percorridos, os trabalhos já realizados, manifesta a preocupação da Igreja que busca estar atenta aos sinais dos tempos, para não perder de vista a fidelidade ao Evangelho. Como perita em humanidade, a Igreja, iluminada pela Palavra, quer continuar a sentir as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias do homem de hoje, para que os discípulos de Cristo, cada vez mais testemunhem a sua fé, na solidariedade e no serviço aos irmãos.

+ Devair Araújo da Fonseca

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s