Carta da Pastoral da Juventude Nacional: Sobre a Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens

Queridas jovens e queridos jovens de todo esse Brasil

“Vamos juntos/as gritar, girar o mundo: Chega de violência e extermínio de jovens!”

Já se passaram quase seis anos desde o início da Campanha Nacional Contra a Violência e Extermínio de Jovens, idealizada pelas Pastorais da Juventude do Brasil (PJ, PJE, PJMP e PJR). Ao recordar esse início, a memória nos leva de imediato para os seis anos em que vivemos a Páscoa definitiva de Pe. Gisley Azevedo, grande amante da vida e dos/as jovens, assessor do
Setor Juventude da CNBB na época, e que teve sua vida ceifada, vítima da mesma violência que denunciava e enfrentava. Ele foi um dos maiores motivadores da Campanha e sua lembrança nos provoca até os dias atuais.

É importante recordar também outros inúmeros nomes que foram fundamentais para que a Campanha ganhasse corpo, conteúdo, coerência, profecia. Talvez seja difícil lembrar de todos, mas foram muitas Marias e muitos Joãos, gentes de todos os cantos do Brasil! Todas e todos com gritos eternizados: CHEGA DE VIOLÊNCIA E EXTERMÍNIO DE JOVENS!

Durante todo o tempo de duração, a Campanha foi construída por muitas mãos, pés e corações, e hoje, após o seu encerramento, podemos com orgulho dizer que foram muitas as alegrias alcançadas com os passos dados e muitas foram as vozes proféticas ecoadas. Também foram muitos os choros e lamentos, com as dores sentidas diante dos/as jovens que não
pudemos alcançar com a nossa iniciativa. Choramos sim pelo fim da Campanha, mas choramos muito mais pelas vidas dizimadas, pelos sonhos interrompidos, pelas histórias que são esquecidas no meio das estatísticas.

A decisão tomada pelas Pastorais da Juventude deixa muitas dúvidas. “Deveria ser desse modo?”, “Seria esse realmente o momento?”… E tantas outras perguntas que poderíamos nos fazer. Tantos questionamentos e angústias mostram como a Campanha entranhou instâncias e espaços, e também vidas, especialmente para tantas e tantos que erguem a bandeira da Campanha Nacional Contra a Violência e Extermínio de Jovens. É preciso dizer: A Pastoral da Juventude, por todo esse Brasil afora, não vai e não pode parar. Seguiremos com o debate e ações de forma profética e corajosa, como temos feito até aqui, dessa vez, vislumbrando um novo horizonte e novas maneiras de fazer ecoar a nossa voz, em todos os lugares que necessitarem da nossa coragem.

O grito continuará sendo entoado, pois ainda não se fez ouvir os gritos de sonhos silenciados e as/os jovens continuam a morrer. “Enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os povos, será impossível desarraigar a violência” (Evangelli Gaudium 59). Nosso olhar de discípulas e discípulos, faz-nos ir mais fundo nos dramas
das vítimas de uma sociedade que gera desigualdade e violência.

Por isso, a PJ continuará firme com sua bandeira de luta e vai dar vazão a todas as ações já iniciadas e a todas aquelas que estão sendo gestadas, especialmente junto ao Projeto “A Juventude quer Viver”. Esse é um compromisso deliberado na Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude, realizada em 2014, na cidade de Ribeirão das Neves/MG, que também reafirmou os seis eixos construídos no Seminário Nacional da Campanha, em maio de 2013, e que transpassam o debate: Juventude, Violência e Extermínio; Juventude e a Redução da Maioridade Penal; Juventude, Aprisionamento e Cárcere; Juventude, Violência e uso de Drogas; Juventude, Segurança Pública, Educação e Trabalho; e Juventude e Tráfico Humano.

“Nas cidades nos campos já se pode ouvir
O grito de basta que ecoa
Tantas pessoas de mãos pintadas
Erga a bandeira! É nossa hora!
E a alegria de poder lutar
Juntar as forças e acreditar!
Erreee! A juventude quer viver,
Quer o novo anunciar”

É hora de colher os frutos das sementes outrora plantadas, é preciso gestar e visualizar os próximos passos referentes a essa bandeira de luta, para além do que já temos planejado. Se seguiremos com a Campanha, com o mesmo nome, identidade visual e metodologia, juntos e juntas construiremos. Primeiro, e antes de tudo, colocamos no centro dessa ciranda a vida de nossa juventude brasileira, que não será esquecida por um só segundo.

Nesse ano de 2015, somos convocadas e convocados a nos envolvermos na construção da 3ª Conferência Nacional de Juventude e precisamos fortalecer esse processo no que nos compete. Lançamos, há poucos dias, uma cartilha com algumas orientações, e logo socializaremos um roteiro de Ofício Divino da Juventude, para rezarmos esse tempo. Também
chegará a todos nós duas rodas de conversa, fomentando as discussões sobre as nossas principais bandeiras na Conferência, inclusive, com destaque para a bandeira do enfrentamento à violência e ao extermínio de jovens, compreendida como prioritária.

Em outubro, a Coordenação Nacional e a Comissão Nacional de Assessores/as da PJ estará reunida em Chapecó/SC, e dedicará um importante tempo para discutir passos concretos para trabalhar essa bandeira, além de todo o envolvimento e compromisso que o GT do projeto nacional A Juventude Quer Viver já tem dado nesse debate. Até lá, queremos ouvir a todas e a todos (grupos, militantes, instâncias de coordenações, centros e institutos de juventude) que queiram nos enviar suas contribuições, sejam avaliações e/ou sugestões. Para acolher essas contribuições, construímos um formulário simples e breve, que está disponível no link http://migre.me/qiRJ2.

Com essa fraterna carta, nos irmanamos e nos abraçamos, na certeza de que é hora de darmos as mãos, em mutirão, para juntos e juntas firmarmos um próximo passo. É tempo de sonhar, porque somos “profetas da esperança” e devemos continuar firmes na alegria do Evangelho, em nossa entrega ardorosa ao Reinado do Deus da vida.

Assim como a Elias, fugitivo e desanimado da luta contra os profetas de Baal, ouvimos hoje do Senhor: “ainda tens um longo caminho a percorrer!” (cf. I Rs 19, 7). É tempo de deserto e travessia, mas não de desânimo que interrompa a marcha.

Um fraterno abraço, no sonho de construir aqui entre nós, a Civilização do Amor,
Coordenação Nacional e Comissão Nacional de Assessores/as da Pastoral da Juventude.

“E a alegria de poder lutar,
Juntar as forças e acreditar!
Erreee! A juventude quer viver,
Quer o novo anunciar
Erreee! A juventude quer viver,
Quer sonhar e realizar”
(“Nossa Utopia”, grupo Pejotrio)
Da terra das esperanças, 15 de junho de 2015.

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